Um vazio. Aquela puta necessidade de ter alguém aqui, comigo, do meu lado. Como se faz para encontrar a tampa certa? Aquela que vai encaixar da melhor forma, formar aquela pressão, cozinhar rápido e quase explodir de paixão? Porque não é possível ser feliz sozinho? Porque nosso corpo insite em contar pro nosso coração que a gente precisa de alguém? Pra quê hormônios? Pra quê mais um se sozinhos deviamos ser completos? Uma vez eu li um texto que dizia que não devíamos achar complementos, e sim parceiros. Que quando se acha o amor da sua vida, ele não será aquele que te completa, e sim, aquele que te acompanha. Somos todos pessoas inteiras, todos providos da capacidade de ser feliz independente de com quem. Não devemos deixar nossa felicidade na mão de pessoa nenhuma, ninguém é confiável pra ter você nas mãos. No fim, é você por você mesmo. Ninguém pode te fazer feliz. Acho triste quando vejo o quanto as pessoas dependem das outras. Não estou dizendo que eu não preciso de alguém, muito pelo contrário, necessito do contato diário com as mais diversas pessoas, não gosto do isolamento, não gosto da solidão. Mas existem pessoas, muitas delas, que não conseguem ficar sozinhas com elas mesmas mais do cinco minutos que chegama enlouquecer. Sempre achei que o caminho para a felicidade é o auto conhecimento. Chegam momentos em que nem você se suporta. São nesses momentos que você para e muda. Do mesmo jeito que você só atrai boa compania quando está bem o suficiente com si. Como faz mesmo pra encontrar o feijão da panela? Porque se não devemos procurar uma tampa, talvez seja bom procurar algo para cozinhar. Talvez seja isso então: a receita não é complemento, e sim o motivo. Ou talvez, não haja receita. O que irrita é que parece que a vida passa e nada acontece. Parece que quanto mais o tempo voa, menos se tem pra aproveitar e menos se fez. Sempre pensei que aos dezoito eu já teria vivido taanta coisa que eu nem cheguei perto de realizar. Não consigo me satisfazer com sonhos. Eu gosto do gosto da adrenalina, do sangue correndo, a mão suando frio, o cérebro a mil pra processar informações. Gosto da aventura, não do desejo. Não consigo parar pra imaginar como será sendo que eu sei que se não realizar, será como se cravasse um punhal no meu próprio peito. Dói demais pra mim não realizar, não conseguir. Mas ao mesmo tempo não ter o que almejar é não ter o que viver. Não se deve apenas seguir a corrente, é passivo demais, fácil demais. E duramente percebemos que o que é fácil, geralmente não é melhor. Mas nem sempre o díficil significa gratificação. Muitas vezes entramos em lutas longas, que ao fim, nem lembramos mais porque brigamos. Mas cada atitude determina um futuro muito distante. Às vezes eu sinto falta de quem não devia. Às vezes eu queria não ter começado pra não precisar terminar. Como um livro bom. Tudo é sempre lindo no final, mas porque o durante tem que doer tanto? Às vezes eu não intendo certas decisões, certos atos que eu já tomei. Mas nós sempre temos que arcar com as consequências. É pior quando você percebe que não importa o quanto leve na cabeça, você nunca aprende. Eu nunca aprendo. Às vezes eu só queria parar, voltar, começar de novo. Se eu soubesse tudo que hoje eu sei tanta coisa teria sido diferente, quiça menos dolorosa. Mas faz tanto tempo que eu não sei nem como cheguei até aqui. Quantas pessoas perdi, quantas machuquei, quantas me machucaram, com quantas discuti, quais realmente importaram. Dói, mas passa. Sempre cura, ou melhor, o tempo sempre desloca o incurável do centro das atenções, e a falta de memória torna as pessoas mais felizes. Falo, falo, falo e nunca chego a conclusão nenhuma, talvez seja esse meu carma, meu destino: pensar.
caiu a noite tão depressa
7 03 2010Comentários : Deixar um comentário »
Tags: cinza, descontentamento, ilusão, lembrança, noite, nostalgia
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